Independência criativa

Acho que uma das coisas mais interessantes da internet é, sem dúvida, acesso a um conteúdo que você dificilmente veria. Livros, filmes, bandas novas e, ultimamente, é isso que tem me chamado a atenção. Long Tail? Ok. Já virou lugar comum e discurso de qualquer agência que queira se dizer “antenada”. Mas essa questão de nicho da internet e a possibilidade de produzir o que você quiser e alcançar mais pessoas do que você imagina é algo realmente estranho.

Você tem total autonomia sobre a sua arte. Não abre concessões ao mercado (embora a conta venha assim mesmo) e ainda têm a possibilidade de achar os seus semelhantes. Pessoas que têm um gosto parecido com o seu.

E com esse desprendimento, as pessoas começam a ter acesso a obras realmente desafiadoras. E a tal chancela, obra independente acaba perdendo um pouco o seu estigma de difícil ou de má qualidade e volta a ter um caráter inovador.

Recentemente vi 2 filmes que mostram um pouco disso. Um se chama The Man from Earth e é realmente low budget. Tem alguns atores que conhecemos de outros filmes, o roteirista já escreveu episódios de star trek e Twilight Zone e o roteiro é o que faz a diferença nesse filme. A história é de um cara que reúne os amigos em uma cabana no meio do mato para dizer que está indo embora. O motivo é porque ele na verdade é um homem das cavernas e que está na terra há 14mil anos. Seus amigos são todos experts em assuntos como paleontologia, religião, etc e começam a questionar se é verdade ou não. Até agora está concorrendo a surpresa agradável do ano. O filme realmente levanta mais perguntas que respostas mas é um filme inteligente.

O outro é Blue State, esse foi produzido pela Anna Paquin entre outros. É a história de um cabo eleitoral do John Kerry em 2003 que promete ir para o Canadá se George W. Bush vencer a eleição. Ele procura alguém para ir com ele e acha a personagem da Anna Paquin. O Filme é sensível, irônico sobre os EUA e sobre o Canadá e acaba comovendo em questões relacionadas ao impacto das escolhas que fazemos no resto do mundo. Eu gostei. Sei que poucos irão curtir mas enfim, eu gostei. E alguns prêmios também parecem ter gostado. Típico filme indie americano.

Agora é torcer para que esse tipo de iniciativa consiga se destacar na quantidade de informação a que somos expostos diariamente.

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