Posts from the “Opinião” Category

Chocólatra

Posted on February 21, 2013

Oi. Meu nome é Daniel Sollero e eu sou chocólatra. O pior é que tirando o clichê dessa frase, eu realmente sou um chocólatra. Daqueles que testa marcas artesanais e de marcas grandes. Daqueles que compra tanto as embalagens de amostras com diversas porcentagens de cacau só para ver a diferença. Daqueles que não mastiga o pedaço só para ver como ele vai derreter na boca. Daqueles que já comeu até chocolate com bacon dos Mast Brothers. Daqueles que é xingado por amigos que não entendem o Amma 85% e daqueles que tem crises de abstinência de chocolate brutais. Meu nome é Daniel Sollero e eu sou chocólatra.

Monetizing the Harlem Shake

Posted on February 19, 2013

“…In short, every time someone throws up a video featuring Baauer’s “Harlem Shake,” the owners of the song, Mad Decent, can remove that video, or if they want, monetize it….”

“…but this is a very 2013 cash-out version of going viral. The whole goal of going viral hinges on making money later on, but here, it’s the proliferation of the video/song — the viral-ness of the thing — that brings in money.”

Se a matéria da Spin estiver certa, o YouTube arrumou uma maneira bem esperta de permitir que as pessoas usem as músicas em vídeos mesmo sem ter os direitos dela. Queria ver o que isso gera de retorno para o artista.

Você é o que?

Posted on February 6, 2013

Eu tenho um filho de quase 5 anos e nesse fim de semana eu estava com ele na quadra de esportes do prédio para ele andar de Patinete e eu de Skate para acompanha-lo. Ficamos andando durante um tempo sob o olhar atônito de outros pais imaginando porque não estávamos andando de Bicicleta ou jogando futebol.

Uma hora meu filho cansou de andar de patinete e eu chamei ele para tentar andar no meu skate. É um longboard mas era um terreno plano, ele estava de capacete e eu não sairia do lado dele. Foi incrível ver a reação dele ao conseguir se manter equilibrado e notar que a coordenação motora dele está evoluindo a cada segundo. E isso aparece também quando ele vai jogar algo no Kinect.
Mas o mais curioso dessa história toda foi que um outro pai que estava lá com o seu filho para jogar futebol, chegou uma hora e perguntou para mim:

Você é skatista, né?

Sem saber o que responder nessa hora, acabei respondendo

Não. Eu só estou andando de skate.

E aí depois fiquei pensando porque eu respondi isso. E qual seria a resposta certa. Embora sempre tenha me identificado com a cultura de rua, seja ela skate, graffiti, hip hop ou o que seja, Eu sempre fui um cara da praia. Talvez a minha identificação fosse mais com a cultura de esportes radicais. Sim eu sempre andei de skate. Desde criança mas nunca me rotulei como skatista. Nem como bodyboarder, nerd ou músico(todos rótulos que me deram em algum momento da vida). Talvez se eu tivesse continuado a pegar onda profissionalmente eu me consideraria um bodyboarder mas acho que aí seria por ser uma profissão. Quando alguém pergunta se você é skatista não é pela profissão mas pelo fato de andar, pela afinidade com aquela cultura e tal.
Mas se pararmos para pensar nisso dá para dizer que quem joga futebol é boleiro? Pode até ser mas geralmente não é. De repente é apenas um esporte, um hobby.

Se perguntarem para mim hoje se eu sou alguma coisa, é capaz de eu falar que sou pai, status que não mudará. Todas os outros rótulos são parte do que eu sou. E não o todo.

O dia em que eu entendi Massive Attack

Posted on November 20, 2012

É curioso como determinados cenários fazem com que a música fique mais relevante. Eu sempre gostei de Massive Attack. Principalmente a pegada dub que eles têm. No trip-hop para mim existia apenas duas bandas realmente foda: Portishead e Massive Attack. Eu sei que são os ícones desse tipo de música mas enfim, eu queria fazer uma musica simples e sofisticada como o Portishead e queria fazer algo tão viajante como Massive Attack.
Mas mesmo adorando e ouvindo muito essas bandas, o dia que eu realmente entendi esse tipo de som foi curioso. Era 2007, eu estava de férias, viajando pela Europa com a minha esposa e Viena era a penúltima cidade que visitaríamos. Já estavamos viajando por 20 dias e fomos para Viena de trem saindo de Munique. Chegamos as 6 da manhã na estação do trem e umas 7 horas eu acho no hotel. Estávamos mortos. Era meu aniversário e esse era o primeiro hotel legal que ficaríamos. O de Amsterdam era legal, o de Paris um nojo, na Alemanha ficamos na casa de amigos e parentes e Viena era um hotel legal. Era um prédio antigo que tinha sido renovado mas que ainda tinha aquela coisa toda de parecer vintage. O quarto era grande, o pé direito alto, a cama enorme e super confortável e tinha uma cortina vermelha tipo aquelas de cinema e teatro.
Como mencionei antes, estávamos super cansados, era dia mas precisávamos descansar umas 2-3 horas para poder conhecer a cidade.
Minha esposa dormiu rapidamente e eu peguei o iPod, coloquei Massive Attack no random e caiu justamente no clássico disco Mezanine e finalmente entendi aquele som. Claro, eu não estava em Londres, eu não estava sob a influência de nenhuma substância ilegal mas de alguma forma o meu cansaço, a luz do dia nublado passando por frestas da cortina, aquela cama super confortável e aquelas músicas fizeram com que eu entendesse porque aqueles caras faziam esse tipo de som. Tudo fez sentido. Pode parecer papo de maluco e, se pararmos para pensar, até é um pouco mas quem nunca teve uma experiência incrível ouvindo música, acho que nunca apreciou muito música, né?

Tive outras experiências curiosas com música. Uma foi ouvindo Third Eye do fantástico album Aenima do Tool ao fazer compras e notei que em determinado momento eu estava completamente desnorteado não sabendo para onde deveria ir. Pode ser um pouco do Gruen Transfer mas a música definitivamente teve um papel ali.

Outra coisa é que eu sempre gostei de rap. Não me importava muito se era east ou west coast. Se era bom, eu ouvia. Mas uma coisa que me chamou a atenção foi como o rap east coast faz sentido em Nova Iorque. Eu nunca tinha ido para lá e fui recentemente. Todas as minhas viagens nos EUA foram para a costa oeste e para Miami (que não é bem EUA, né?). Mas juro que ouvir Beastie Boys andando por Nova Iorque foi incrível. E o engraçado é que dava para notar quais músicas e quais artistas eram da Costa leste. O som fazia sentido e não parecia forçado naquele ambiente. Mais ou menos como ouvir funk carioca em São Paulo. O ambiente é outro. A música faz menos sentido.

O dia em que eu entendi o Massive Attack foi um grande lembrete de como o contexto é importante na criação de qualquer coisa. Se aquela arte é relevante para aquela época, ela pode fazer sucesso e ter efeito em outros locais mas, provavelmente, no seu local de origem (ou algum que emule bem essas características) ela vai fazer mais sentido. Ou seja, para criar muitas vezes tem que ouvir e estar com o radar ligado.

Inertia Creeps. moving up slowly.