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Depois da tragédia da Fonte Nova fiquei pensando na mancha que isso seria na imagem do Brasil sede da Copa do mundo. Na coluna do Nelson de Sá na Folha (apenas para assinantes) já mostra a repercussão disso na mídia internacional:

(…)O acidente “não é a melhor publicidade para o Brasil sediar a Copa”, disse um dos engenheiros à Reuters. “O que encontramos foi pior que o esperado. Muitos estádios estão em estado absolutamente deplorável.”
No título do despacho, “Acidente no Brasil expõe os estádios de futebol”. Também na AP e France Presse, esta postada pelo Google, “Tragédia foca a atenção nos estádios inseguros do Brasil”. Na italiana Ansa, “Imagem do Brasil para Copa é afetada por tragédia”.
Como que um cenário desses pode ser revertido?

Lembrei de uma matéria que li na edição de setembro da Monocle que falava de um esforço do governo do Rio de Janeiro em reverter a percepção que os últimos anos têm fixado na mente dos turistas e até de alguns dos habitantes da cidade.
O nome do projeto se chama 1Rio e só deve ter uma versão de verdada no ar no mês que vem.
Entre os esforços desse grupo 1Rio está a contratação da Saffron Brand Consultants do Wally Ollins (um dos fundadores da Wolff Olins) e a empreitada é bancada por empresários cariocas cujo intuito é recuperar a auto estima do Estado e dos cariocas e voltar a atrair mais turistas (afastados pelas notícias de violência e etc) e negócios.
Flavio Azevedo (ex-Ogilvy) explica o projeto na matéria e diz que a intenção é transformar o 1Rio em um movimento como o que já foi feito na Africa do Sul e como o I Love NY de Nova Iorque.

Lembro também que teve uma matéria na revista do Globo sobre como o Rio é a cara do Brasil e como ele, pessoalmente, pretende se envolver nessa retomada e que pretende até mudar a sede da ABC para a cidade maravilhosa. Peças começam a se encaixar…

Na mesma edição da Monocle há uma entrevista com Ollins sobre Branding de países em que ele alerta que renovar um país, uma cidade ou até mesmo uma marca não é coisa que se resolve em uma campanha. “É algo que pode demorar 10 a 20 anos”.

Aqui vão alguns trechos da entrevista:

M: Are you working with Spain?
WO: We are currently working on one area of Spain that within 10 years will be seen to be a key element of what Spain is about, and that is technology, especially in the IT sector, railways, and sustainability. We are working at making this understood around the world.
M: How can you spread this idea?
WO: Not through the sort of advertisements you see for places like Macedonia. They are a complete waste of money. You don’t change people’s perceptions of a country with advertising. You change people’s perceptions by finding the truth, finding an idea that embraces that truth and putting it through everything they do.
M: Do nations look at branding issues just to make more money?
WO: It’s partly economics, partly peer group pressure and partly because they think there’s some kind of mystery to be understood. In South Africa, it’s about getting people to feel they all belong to the same country.
M: What mistakes do countries make?
WO: That it can be done in 10 minutes. It can’t. It takes 10 or 20 years. They think it’s an advertising campaign; they think it can be done with a quick phrase. They want to say things that are not true.
M: Should nation branding be an ongoing process, like having regular check-ups?
WO: Countries should have a creative director. In 20 years, it will be standard practice to have a government department looking after the country’s image: reputation management, tourism, foreign direct investment.

Para quem se interessou a Monocle de Setembro focou no conceito do branding de países e no site você pode assistir uma entrevista com a designer Paula Scher da Pentagram falando sobre como deveria ser o re-brand dos EUA.